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A Minas Gerais dos grandes compositores e instrumentistas não tem sido tão pródiga em intérpretes, sobretudo femininas. Cantora de boa trajetória em palcos, Gisella - que já se apresentou em várias casas de MPB e jazz em Belo Horizonte e estrelou shows no Palácio das Artes - abandonou a carreira há uma dezena de anos para voltar agora. Cheia de disposição, cantando o fino e lançando um CD com repertório de altíssimo nível. "Passagem" reúne craques mineiros da composição, como Fernando Brant, Tavinho Moura, Márcio Borges, Murilo Antunes, Flávio Henrique, Sérgio Santos e Wagner Tiso, a outros agregados competentes. O disco tem canções lindas, que são bem arranjadas e bem interpretadas. Ah, sim: claro que Milton Nascimento também está presente. (Luis Pimentel - JORNAL DO BRASIL - Caderno B - 25.03.2006 - pág. B3) |
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Critério de seleção
prejudica resultado Por isso, é um tanto decepcionante notar que, com exceção de Maria Bethânia e Jussara Silveira, as cantoras citadas acima ficaram fora de um livro abrangente como "MPB Mulher". Ou melhor, a foto da baiana Vânia Abreu até pode ser vista entre as incluídas na obra, mas trata-se de um descuido de edição: a imagem aparece ilustrando, erroneamente, o verbete dedicado à paulista Vânia Bastos. OK, logo na introdução, Ricardo Cravo Albin avisa que seu livro "não será - nem poderia ser - uma antologia completa do universo generoso (e amplo) das mulheres da MPB". E informa que a seleção das personagens retratadas ficou subordinada às fotos do precioso arquivo do fotógrafo Mário Luiz Thompson. Em outras palavras, se não foram clicadas por Thompson durante seu namoro de quase quatro décadas com a música brasileira, cantoras de importância ficaram sem um verbete no livro. Passado o primeiro impacto das belas e expressivas fotos de Thompson, é difícil não questionar essa opção editorial. Logo após o capítulo inicial, focado na pioneira maestrina Chiquinha Gonzaga, a seção dedicada às cantoras do rádio já revela uma ausência bastante incômoda. Carmen Miranda, referência absoluta nesse período, simplesmente não aparece ao lado das imagens de outras divas radiofônicas, como Aracy Cortes, Emilinha Borba e Marlene. Sem verbete próprio, a "pequena notável" recebeu apenas dois parágrafos quase escondidos, no texto de abertura de Cravo Albin. Assim como as divas Alcione, Jovelina Pérola Negra ou (a mais jovem) Teresa Cristina não aparecem entre as "senhoras do samba" selecionadas para o livro, alguns capítulos sugerem outras ausências. Se Daniela Mercury, Daúde, Virgínia Rodrigues e outras "mulheres da Bahia" ganharam seção própria, plenamente justificada, soa um tanto injusto deixar passar em branco as talentosas mineiras Titane, Marina Machado, Paula Santoro, Alda Rezende, Letícia Coura, Patrícia Lobato e Gisella. Como deixar de fora as cariocas Paula Morelenbaum, Leila Maria, Suely Mesquita e Arícia Mess? Ou ainda as paulistas Maria Rita, Ana Luiza, Izabel Padovani, Luciana Alves, Vanessa Bumagny e Tatiana Parra? Se compositoras como Marina Lima, Ângela Rô Rô ou Suely Costa ganham um capítulo para exibir outra vertente feminina na MPB, por que não destacar também instrumentistas talentosas, como Badi Assad, Paula Faour, Léa Freire ou Simone Soul? Fosse "MPB Mulher" uma simples antologia de fotos, talvez essas "ausências" não seriam tão sentidas, mas Cravo Albin organizou a obra em verbetes relacionados a fases e estilos musicais, esboçando assim uma espécie de história feminina da MPB. Então por que não incluir outras artistas, mesmo que os verbetes não fossem acompanhados por fotos? Essa alternativa (fica aqui a sugestão para uma próxima edição) enriqueceria a obra e diminuiria as possíveis injustiças. Mapear a trajetória feminina em um universo tão rico como o da música brasileira é, ressalte-se, uma tarefa nada fácil - fato que só valoriza o projeto de um livro como esse. |
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| Eternos sons de Minas A cantora mineira Gisella começou a carreira atuando em bares de Belo Horizonte, o que lhe deu enorme experiência e a chance de conhecer nomes de ponta da música do seu Estado como Milton Nascimento e Fernando Brant. Por contingência do destino, ficou treze anos afastada da música, retornando com este seu primeiro CD, produzido e arranjado por Wagner Tiso. O repertório é formado por canções de grandes nomes da música mineira e novos valores. O repertório tem clássicos e inéditas. Entre os temas, Contos da Lua Vaga (Beto Guedes/Márcio Borges), Os Cafezais Sem Fim (Wagner Tiso/Fernando Brant), Canto de Desalento (Toninho Horta/Rubens Théo), Capricho da Sorte (Sérgio Santos/Murilo Antunes), Ainda Temos Tempo (Renato Motha/Malluh Praxedes) e Maracanã (Tavinho Moura). Há uma raridade: ...E a Gente Sonhando, canção de Milton Nascimento que até hoje só havia sido gravada por Alaíde Costa. Em Lira do Bem Querer (Celso Moreira/Murilo Antunes), Gisella faz dueto com Zé Renato. Entre os músicos que a acompanham, Zeca Assumpção (baixo), Robertinho Silva (bateria e percussão), e Victor Biglione (violão), além do próprio Wagner Tiso (piano e acordeon). A voz de Giselle é grave e bem colocada, emprestando ás canções um tom ao mesmo tempo majestoso e envolvente. Belo disco. JC Online (Recife, PE), 25.03.2006,
Toninho Spessoto. |
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| Cantora volta à cena
Se, para muitos
supersticiosos, o número 13 representa mau agouro, para a cantora Gisella
Gonçalves é um marco positivo. Afastada há 13 anos da cena musical, quando
decidiu dedicar-se totalmente à carreira executiva na área de comércio exterior,
ela trocou a capital mineira, sua terra natal, pela agitada São Paulo. Agora,
faz caminho inverso já que está-se despedindo do métier para retornar à carreira
musical. Ela volta a Belo Horizonte para realizar, amanhã, às 21 horas, o show
de lançamento de seu primeiro CD, Passagem, no Teatro Sesiminas. Gisella sobe ao
palco acompanhada dos músicos paulistas Luiz Ribeiro (violão, direção musical e
arranjos); Neymar Dias (contrabaixo acústico e viola caipira), Lulinha Alencar
(piano e acordeon) e Sérgio Reze (bateria e percussão). ¨São músicos paulistas
de um talento fenomenal. Há entre nós um entrosamento muito bom¨, diz a cantora. |